
De fato, a Física é uma ciência de crianças. Nela tudo é mais mistério que revelação, mais incerteza que certeza, e mais contradição que uniformidade. E é de Física que estamos falando, não de Deus. Quando falei de “contradição” de fato eu quis dizer isto mesmo. Contradição, pelo menos até que haja a revelação da síntese convergente, que, para nós, é Cristo, em quem tudo subsiste. Mas a Física não conta com esse “vértice unificador”, e o caminho dela é diferente do caminho da Fé, ainda que não se faça nada nem na Física nem em qualquer outro campo, se não houver fé. Alguém diria que é a dúvida que faz a ciência a ser ciência. Todavia, eu creio que se é a dúvida que levanta a questão, é a fé que impele o duvidoso a buscar uma resposta. Sem fé também é impossível fazer ciência. Sobre a contradição falada entre o Macro Cosmo e o Micro Cosmo, apresentarei uma ilustração. De fato, trata-se de uma ilustração criada por Heisenberg. Nela ele ilustra o princípio da Incerteza criando um Cartoon que tem como personagens alguns dos principais proponentes de teorias Físicas. Desse modo, Heisenberg aparece apontando para baixo com sua mão direita para indicar a posição de um elétron, e apontando para cima, com a outra mão, para a onda da energia oriunda do elétron. Isto porque, num dado momento, quanto mais certeza temos sobre o “momentum de um quantum”, menos certeza podemos ter de sua exata posição. Então aparece Bohr, outro grande nome, e que gesticula para cima com dois dedos para enfatizar a natureza dual e complementaria da realidade. O quantum não observado é ambos, partícula e onda; mas qualquer experimento só pode mostrar uma forma ou outra, não ambas; visto que a indicação da realidade de um das realidades—partícula ou onda—remete a outra para a inobservabilidade. Bohr argumentava que as teorias sobre o universo necessariamente devem levar em conta os efeitos do observador em qualquer medição de quanta. O observador pode alterar a coisa observada pela simples observação do ambiente que observa. Bohr e Heisenberg chegaram à conclusão que qualquer previsão na mecânica quântica pode, no máximo, ser limitada a uma descrição estatística de um comportamento de grupo, mas nunca em relação ao ente-individual na dimensão sub-atômica, visto que a certeza sobre um, remete o outro para a não observabilidade, conforme já disse antes. Ora, na ilustração—no cartoon—Einstein aparece revoltado contra a revolução quântica e diz que ele não podia crer que Deus brincava de dados com o universo. Assim, Einstein protesta a fim de indicar que ele acreditava que o universo poderia ser descrito com uma única equação de campo unificada. Einstein descobriu a relatividade do tempo, a relação matemática entre a energia e a matéria. O restante de sua vida ele passou tentando formular uma teoria de campo unificada. Muito embora nós agora precisemos utilizar a probablidade para descrever os eventos quânticos, Einstein esperava que no futuro se pudesse encontrar uma ordem escondida na mecânica quântica. Na ilustração de que falei é Feynman, todavia, quem “toca os tambores”, com os diagramas de partículas virtuais se levantando como notas musicais. Ele inventou a Eletro-Dinâmica-Quântica, o sistema mais prático de resolver problemas em mecânica quântica. Feynman renormalizou os infinitos que impediam soluções exatas de equações quânticas. Na ilustração desse Dilema Físico há um gato, que é Schrodinger. Ele está sorrindo e se esfregando em Bohr. Há também uma mulher em azul, que é Nut, a deusa egípcia do Céu. Ela lança dados nas costas de Einstein, e está dando à luz uma chuva de partículas elementares—isto tudo no cartoon do qual falei, e que me foi enviado, via Internet, por meu filho Ciro. Einstein diz: - Deus não joga dados com o universo! Bohr responde: - Quem é você para dizer o que Deus faz! Hawkings complementa: - Deus não só joga dados, como também, às vezes, resolve esconder os dados que ele joga. Assim, no Macro Universo, Energia é igual a Massa, vezes a velocidade da Luz ao quadrado. Esta é a equação de Einstein. Ora, esta é a Lei da Relatividade, mas que carrega em-si um absoluto: a velocidade da luz é uma constante. No mundo quântico, todavia, as interações entre as partículas ocorrem de um modo mais rápido que a velocidade da luz, e independente de distancia, tempo, ou mesmo da realidade da partícula com a qual se interage; podendo haver até interação com uma “possibilidade” de partícula, mas que não existe como tal para o observador; ou seja: pode haver interação com uma partícula não identificável, que nesse caso, para quem observa, é uma interação com uma “probabilidade de existência”. Nesse caso, a suposição é que a interação seria com algo que existe para a partícula que com essa realidade interage, mas que não está disponível para o observador como algo detectável. O que é um elétron? Ele é uma partícula e ao mesmo tempo uma função de onda. Ora, isto é o que cria o Paradoxo da Incerta, que é até agora uma Contradição, visto que é sobre certezas que vivemos. Todavia, nosso Macro Universo de muitas certezas—afinal, os fenômenos dele se repetem em obediência a Leis Constantes—é alimentado por realidades que existem em total incerteza—no mundo quântico—, e que dão à Luz uma constante, embora a matéria constitutiva da Luz seja feita de algo que é mais veloz que a Luz, e que pode viajar independentemente de tempo-espaço. Ora, isto é Contradição, pelo menos por hora; e, mesmo sendo contraditório, ainda assim é inegável como fato. Afinal, eu estou usando, enquanto escrevo este texto, ambas as coisas: a certeza que me vem do elétron, e a mecânica das incertezas, e que habita o “interior de uma Certeza Maior”. Assim, as certezas que temos no Macro Universo são constituídas das Incertezas Reais existentes no Micro Universo. Desse modo, quanto mais certo você está da posição do elétron, mas incerto da energia, e vice versa. A Física ainda está a procura de uma variável de unificação, conforme o sonho de Einstein; mas até agora nada. O paradoxo é que a Luz é constante; mas o elétron tanto é partícula quanto onda, assim como também viaja em velocidade mais rápida que a Luz; sendo que todas as coisas das quais nos utilizamos para produzir equipamentos tecnológicos baseiam-se em eletricidade—elétron—, enquanto se sabe que o próprio elétron é, em si, ou melhor, em suas próprias vísceras, pura incerteza. Assim se poderia dizer que nossas Macro Certezas se baseiam em realidades nas quais o que prevalece é o Princípio da Incerteza, visto que no Micro Universo—do quantum—, se se tem certeza sobre a posição da partícula, não se terá nenhuma certeza sobre sua velocidade, e vice versa. Isto apenas para começar com a “contradição”. Quanto ao mais, eu diria o seguinte: As três definições que você fez—Paradoxo, Mistério e Contradição—são realidades em suas definições filosóficas, etimológicas a até teológicas. Todavia, na Física elas não carregam toda essa fixidez. É obvio que aquilo que hoje é contradição poderá a vir a ser redefinido como paradoxo, já que a Física não trabalha com a categoria do Mistério, pois, nesse caso, pararia a sua busca de compreensão do que existe. É claro que contradição só existe para nós, e nós temos que aprender a lidar com elas, visto que muitas delas, embora contraditórias entre si, são inegáveis como fato real e utilizável por nós, tecnologicamente falando. A equação unificadora de todas as teorias é Cristo, em quem habitam todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento; mas isto eu sei pela Fé, não pela Física. Afinal, Nele tudo subsiste.


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